Wednesday, December 28, 2011
I Object Your Honor!
Wednesday, December 21, 2011
Alfama
Saturday, December 10, 2011
Pedras da Calçada
Thursday, December 8, 2011
Vida de (alguns) estudantes
Wednesday, November 9, 2011
A dor
Quando chegou a casa, encontrou a filha deitada na cama, com o rosto envolvido numa manta ensopada. Não respirava. A claridade já não irrompia pelas janelas. Já nao se ouviam ruídos vindos da rua. A dor de cabeça parara.
Tuesday, November 8, 2011
Reflexos
Sunday, May 8, 2011
Capítulo I

Wednesday, February 9, 2011
Tenho em mim todos os sonhos do mundo

Friday, September 24, 2010
Hit the road Jack!
O ambiente era escuro, iluminado apenas por uns quantos candeeiros a petróleo dispostos em algumas mesas.
Avançou por entre os homens de preto e avistou uma mesa vazia junto ao piano. Sentou-se, tirou o lenço amarelo da mala e pô-lo à volta do pescoço. Pediu um Martini Classic, recostou-se na poltrona e acendeu uma cigarrilha.
- Peço desculpa pelo atraso - galanteou-a, enquanto tirava o chapéu de coco e lhe beijava a mão.
- Tem que agradecer aqui ao pianista, se não fosse ele já me tinha ido embora.
- Ora, com certeza que esperava.. Ah gosta? É bastante falado agora, foi encontrado num coro. Na minha opinião só tem estado agora na luz da ribalta porque é cego.
- Discordo, penso que ele é de facto muito talentoso, apesar da sua limitação visual. Mas chega de conversa de café, estou aqui para tratar de negócios.
- Minha querida, estamos num café portanto não é totalmente desadequado este tipo de conversa. Impiegato, dammi un altro Martini! - gritou para o empregado.
So don't set me free, Though I've done you wrong, Baby can't you see, Without you I can't get along, Keep me in a state of agony, Make me miserable as can be, And whatever you do to me, Don't set me free!
- Confirmei agora a minha opinião anterior: sente-se a emoção que este homem transpõe para a música! E esta letra? Fascinante! Ainda para mais, teve um timming perfeito.
- É uma letra contraditória! De louco! Quer que o mantenham em estado de agonia e que o façam miseravel, desde que não o libertem, desde que continue "preso"? De louco, repito! Mas que falou do timming, minha querida?
- Discordo de si, mais uma vez. Ah, o timming..! - levantou-se e tirou uma espécie de carteira do bolso interior do casaco, deixando cair o lenço amarelo em cima do cadeirão - O timming.. Sabe, esta canção foi boa para si, pode interiorizá-la e pode ser que passe melhor os próximos 25 anos da sua vida. O senhor está preso - mostrou-lhe o distintivo - As acusações são de posse e tráfico de droga, gerência de prostíbulos e casa de jogo, forja de apostas, controlo de informantes, subornos, e esta lista continua.. Tem o direito de ficar calado e de chamar o seu advogado. Queira acompanhar os meus colegas que ficarão consigo a partir de agora.
Pegou no seu lenço amarelo, deixou-se cair no cadeirão e acendeu outra cigarrilha. Deu um profundo bafo, fechou os olhos e concentrou-se na música.
What you say? Hit the road Jack, and don't you come back no more, no more, no more, no more.
Sunday, August 8, 2010
Corre, Corre, Corre!
Wednesday, April 21, 2010
Quem és tu?
Quem és tu?
Trabalhas?
O que fazes nos tempos livres?
Preferes praia ou campo?
Fazes colecção de isqueiros?
Chamas-te Ana ou Manuel?
Friday, April 16, 2010
- Quem sou eu?
- Sim, quem és tu!
- Eu sou eu. E tu, quem és?
- Eu sou a Alice. Mas quem és tu?!
- O que é que isso importa? No fundo, eu sou tu, e tu és eu. Somos todos iguais. Carne, osso, células. Tu és eu e eu sou tu. Eu, tu, ele, ela. Nós, vós e eles. Somos todos o mesmo.
- Está certo, mas mesmo assim, quem és tu?
Friday, March 5, 2010
I Could Have Danced All Night
Era o que me faltava agora, pensou.
Não tinha paciência para conversas com desconhecidos em bares, paragens de autocarro, ou em qualquer outro lugar. Ainda assim, olhou para trás. Uns enormes olhos cor de mel fixavam-na. Um rosto redondo, moreno e umas enormes ondas pretas a vaguear no cabelo saudaram-na.
Surpreendeu-se e apontou para o banco vazio ao lado do seu:
- É todo teu.
O rapaz pousou com extremo cuidado uma pasta cor-de-laranja flurescente no chão e tomou o lugar que lhe era apontado.
- Quero o mesmo que ela.
- Olha que isto é forte - avisou-o.
Rodou no banco, apanhou a sua mala do chão e tirou um cachimbo.
- Não tens idade para fumar essas coisas! - disse escandalizado o rapaz.
- E tu já nao tens idade para andares com pastas cor-de-laranja flurescente.
O empregado pousou o copo no balcão. O rapaz deu lhe um golo e mudou de cor. Engasgou-se.
- Não tens idade para beberes estas coisas!
- E tu não tens idade para dar sermões a ninguém - bebeu o resto num só trago.
- Tens nome ou..?
- Verónica. Costumas vir para bares meter conversa com raparigas?
- Só quando estão com um copo de whisky à frente e com um cachimbo na boca.
Ela sorriu.
- Danças?
- Quando há musica, sim.
- Não a ouves?
Ele sorriu.
Levantaram-se, e junto a um balcão de um bar cheio, dançaram ao som do silêncio.
Thursday, February 18, 2010
- Verónica, mais baixo querida! O papá deve estar cansado...
- Nunca estou cansado para a nossa pequenina!
Deixou cair a pasta no chão e Verónica saltou-lhe para o colo. Desequilibrou-se, mas agarrou-se rapidamente ao corrimão.
- António! Verónica, para o chão imediatamente!
- Mas mamã...
- Nem mas nem meio mas! Lá para cima, já!
A menina cerrou os dentes e arrastou-se até ao quarto.
- António, isto não pode continuar assim! Com a miúda a atirar-se desta maneira para cima de ti não duras muito! Sabes perfeitamente que na tua condição não podes andar para aí a…
- Dança comigo.
- António..!
- Vá lá, chega de conversa fiada. Vamos dançar, vamos ver o teatro da nossa filha, vamos jantar e vamos dormir. E amanhã vamos acordar e vamos comer um pequeno-almoço digno de hotel. E no fim-de-semana vamos até Cascais, ver o mar. E agora, mademoiselle, se me dá a honra desta dança…
E dançaram, e viram o teatrinho da pequena, e foram dormir. E comeram um pequeno-almoço digno de hotel, e no fim-de-semana foram ver o mar a Cascais. E tornou-se num hábito que durou todos os dias até ao último dia de António Antunes, pai, marido, e grande artista do teatro português.
- Estás pronta, Verónica?
- Sim. Onde está o Roberto?
- No camarim dele, pergunta por ti.
- Diz-lhe que vou já.
Olhou-se uma última vez ao espelho e levantou-se. Respirou fundo, esboçou um sorriso falso e saiu.
- Mas tu estás parvo Roberto? Está a casa cheia e tu andas a fumar essas merdas?!
- Estou farto disto, Verónica. Vais ver, um dia…
- Já sei, um dia vais ser um grande actor, vais actuar no Maria Vitória, vais fazer um musical com o La Féria, e tudo mais. Eu já sei, Roberto, já sei... Mas até lá vais deixar-te destas porcarias que só te destroem a vida e vamos dar a estas pessoas aquilo que elas querem, um óptimo espectáculo. Porque é isso que nós fazemos Roberto. Porque independentemente do nosso estado de espírito, as pessoas querem um bom espectáculo. E é para isso que somos pagos. E de certeza que é isso que o La Féria espera dos seus actores. Agora apaga essa porcaria e lava a cara. Daqui a três minutos entramos.
Fechou a porta e escondeu-se atrás duma cortina. Tirou um saquinho com pó do decote e inspirou-o. Hipócrita, ouviu-se dizer.
doce de morrer.
- Vamos lá menina, abre o raio do armário!
- Tenha calma avó!
- Calma? Estão as pessoas a chegar, temos que esconder os chocolates!
A neta bateu com a mão na testa.
- Tantos chocolates ainda vao matá-la, avó.
Wednesday, December 2, 2009
The rainbow connection
. Dêem-me cor !
Sunday, October 18, 2009
(Love is our) Resistance
A cortar a cortina de neve, uns flaxes azuis escuros feriam-lhe os olhos. Ouviu o grito das sirenes ao longe. Com um poder sobre humano, redobrou a velocidade. Chegou ao local. Em pânico, olhou para todos os lados em busca de um sinal. Enquanto percorria visualmente toda a área envolvente, avistou-a.
Os seus olhos pousaram nela, e o seu corpo voou até lá. Viu as suas maças do rosto, outrora maduras e vermelhas, palidas, ainda mais brancas que a neve. Os seus olhos azuis vivos estavam agora translúcidos.
Abraçou-a, e o seu corpo, outrora quente, estava gelado como a noite. Deu um berro de desespero. Despiu-se e tapou-a com as suas roupas. O médico tentou afasta-lo dela, e ele esperneava, pontapeava, afastava-o.
Agarrado a ela, chorou, gritou, blasfemeou. Agarrado a ela, viu a vida passar-lhe em retrospectiva. Agarrado a ela, viu o momento em que tinha visto pela primeira vez aquele rosto angelical. Recordou as viagens que tinham feito juntos, os caminhos que tinham traçado, as pessoas com que se tinham cruzado. Pensou em como teria sido a sua vida sem ela.
Voltou a fitá-la, e viu, no meio da escuridão, que ela lhe sorria.
"Até amanha meu amor", murmurou.
Wednesday, September 30, 2009
Agosto 1978 - Iquitos, Peru
Saiu da sua tenda cuidadosamente e espreguiçou-se. Olhou em seu redor: estava circundada por uma densa camada de verde e castanho. Os raios de sol espreitavam a medo entre as folhagens, deixando apenas ver uns pozinhos do azul do céu.
Pegou numa esteira, foi à sua mochila, tirou a sua tigela e o seu pacote de Cornflakes e tomou o pequeno almoco em silencio, tentando decifrar os ruidos à sua volta.
A rotina de verdes que a abraçava foi quebrada pelo azul dum papagaio solitário que foi pousar no ramo duma árvore. Ficou extasiada com aquela cor.
Tuesday, March 24, 2009
O Quarto da Casinha Amarela
De uma só vez, puxou os lençóis que tapavam a cama, de seguida os que tapavam a comoda, a escrivaninha, o toucador, o canapé, a estante - toda a alma do quarto ficou desnuda. Segundos depois, viu uma camada de pó flutuar sobre todo o espaço. Tenho mesmo que fazer uma limpeza nesta porcaria toda, pensou. Enquanto estudava o estado degradado das paredes, deu com uma maçaneta. Rodou-a e uma porta disfarçada pela espessa camada de sujidade abriu-se, revelando uma salinha com uma mesa no centro e com algum outro objecto estranho em cima. Maria aproximou-se. Já nem se lembrava daquela sala.. Tão pouco reconhecia o objecto que estava em cima da mesa. Pôs os óculos. OH!, surpreendeu-se. OH!, gritou. OH!, sorriu. Será que..? Olhou mais de perto. OH! extasiou-se!
Era a sua grafonola! Aquela mesma grafonola, naquele mesmo sitio! Como é que me fui esquecer deste sitio?! Procurou uma tomada electrica, e depois de muito remexer, lá encontrou uma. Foi á grafonola. Será que toca? Ligou o aparelho. A música começou. OH!, emocionou-se. Uma lagrima caiu-lhe ao longo do rosto. Era a última musica que haviam dançado.
