- Posso?
Era o que me faltava agora, pensou.
Não tinha paciência para conversas com desconhecidos em bares, paragens de autocarro, ou em qualquer outro lugar. Ainda assim, olhou para trás. Uns enormes olhos cor de mel fixavam-na. Um rosto redondo, moreno e umas enormes ondas pretas a vaguear no cabelo saudaram-na.
Surpreendeu-se e apontou para o banco vazio ao lado do seu:
- É todo teu.
O rapaz pousou com extremo cuidado uma pasta cor-de-laranja flurescente no chão e tomou o lugar que lhe era apontado.
- Quero o mesmo que ela.
- Olha que isto é forte - avisou-o.
Rodou no banco, apanhou a sua mala do chão e tirou um cachimbo.
- Não tens idade para fumar essas coisas! - disse escandalizado o rapaz.
- E tu já nao tens idade para andares com pastas cor-de-laranja flurescente.
O empregado pousou o copo no balcão. O rapaz deu lhe um golo e mudou de cor. Engasgou-se.
- Não tens idade para beberes estas coisas!
- E tu não tens idade para dar sermões a ninguém - bebeu o resto num só trago.
- Tens nome ou..?
- Verónica. Costumas vir para bares meter conversa com raparigas?
- Só quando estão com um copo de whisky à frente e com um cachimbo na boca.
Ela sorriu.
- Danças?
- Quando há musica, sim.
- Não a ouves?
Ele sorriu.
Levantaram-se, e junto a um balcão de um bar cheio, dançaram ao som do silêncio.
2 comments:
A sedução é mais que uma palavra, é um jogo fascinante, de entrega, sem querer dar, de escolha, entre o Amor e o Prazer na procura eterna, ao segundo, pela harmonia entre as duas. Sedução, a palavra que não se lê, dança-se, cheira-se com um perfume que oscila entre o difuso e o intenso.
Que história é essa, afinal em que os trapezistas, provocam uma dança focada no desequilíbrio?
Sedução, de lábios vermelhos e cabelos penteados no rescaldo, do para sempre.
Gostei deste. =)
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