Sabes que mais? Eu se tenho verdadeiramente pena
de algo, é de que o amor dos tempos de hoje não seja como o amor dos tempos de
ontem. Um amor como os amores que vêm retratados nos livros. Não proprimanente
um amor trágico à Shakespeare, mas um amor à Gabriel Garcia Marquez, um amor à
Pablo Neruda, um daqueles amores em que uma pessoa se apaixona só de ler a
história dos apaixonados. Porque é que o amor do agora não é como o do
antigamente, olha que merda? Um amor intenso, vivido, sentido. Um amor como no
dos livros. Um amor em que se valoriza tudo. Tudo! Cada palavra, cada suspiro,
cada sussurro e cada silêncio. – Fez uma pausa para retomar o folêgo - Os
pequenos gestos morreram. Onde está uma flor colhida num jardim num regresso a
casa? Onde está um bilhete rabiscado antes de sair de manhã? Onde está um
pequeno passeio ao luar ou um sentar num banco de jardim e contemplar a
infinitude do céu? Diz-me lá.. Porque é que o amor do agora não é como o do
antigamente? Um amor em que se estima cada sorriso, pois se sabe o quão
dolorosa é cada lágrima. Um amor em que se acarinha cada presença, pois se sabe
quão solitário é cada ausência. Um amor em que se vive cada momento, pois se
sabe o quão efemero é viver... Diz-me lá então, porque é que o amor do agora não é como o do
antigamente?
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