Tuesday, March 15, 2011

Perguntei ao céu, será sempre assim?

Presidente da República pede a jovens empenho e "missões em causas essenciais" para o futuro do país.
O Presidente da República instou hoje os jovens a empenharem-se em "missões e causas essenciais ao futuro do país" com a mesma coragem e determinação com que fizeram os militares que participaram há 50 anos na guerra em África.

Com a mesma coragem e determinação com que os militares o fizeram? Pobres jovens de há cinquenta anos, que nem sabiam o porquê da sua luta, a nobre causa pela qual arriscavam todos os dias as suas vidas.


E os que sobreviveram? Sim, os que tiveram o (in)fortúnio de sobreviver. Os acarinhados veteranos? Pobres
coitados, também eles acabando por ser vítimas de guerra, na segurança e conforto do seu próprio país. Nem o código que dava um estatuto de reconhecimento e assistência aos feridos na I Guerra Mundial evitou que ficassem na miséria, sem direito a assistência médica ou quaisquer regalias sociais.




E em África? Após a independência, a grande maioria dos combatentes foi abandonada à sorte porque não existiam sequer acordos que visassem a sua protecção. Tirando os que foram perseguidos e assassinados pelos antigos inimigos. Estima-se que tenham sido assassinados onze mil de ex-combatentes.



E o nosso queridissimo PR convida os jovens a empenharem-se em "missões e causas essenciais ao futuro do país" com a mesma coragem e determinação com que fizeram os militares que participaram há 50 anos na guerra em África.

Que pouca vergonha. Tal como a música, perguntei ao céu: Será sempre assim?

"Há sempre a lembrança de um olhar a sangrar, de um soldado perdido em terras do Ultramar, por obrigação aquela missão. Combater a selva sem saber porquê, e sentir o inferno a matar alguém. E quem regressou guarda sensação que lutou numa guerra sem razão... Há sempre a palavra "nação" que os chefes trazem e usam pra esconder a razão da sua vontade. E para eles aquele inverno será sempre o mesmo inferno que ninguém poderá esquecer, ter que matar ou morrer, ao sabor do vento naquele tormento".

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