Não ando feliz.
Ou ando?
Não que não o ande, simplesmente fico não feliz com uma facilidade assustadora.
- Pai, o teste correu-me mal.
- Tens a certeza? Não acharás que correu mal e afinal correu bem?
- Não.. Correu mesmo mal.
- Pois, nao estudaste como o outro.
- Estudei sim.
Qualquer coisinha me dá para chorar.
- Estás com a camisola muito aberta, estou a ver o teu soutien!
- Não é o soutien, é outra camisola que tenho por baixo..
Emagreci 3 kg. Será disso?
A minha tia explicou-me que a expressão "anda com os nervos à flor da pele" tem um fundamento de verdade. As pessoas mais magras andam, efectivamente, com os nervos à flor da pele. E, verdade seja dita, tenho 1.69 cm e só peso 52 kg, os meus nervos devem andar a raspar o mundo exterior.
- Não gosto nada de te ver com ténis, ja te disse umas quinhentas vezes!
- Isto não sao ténis, são botas!
- São ténis-bota..!
Sim, fiquei extremamente chateada quando o meu pai me mandou os meus primeiros all-stars para o lixo, porque estavam rotos de lado. Eram os MEUS ténis, aqueles que EU comprei, com a MINHA mesada. E nem estavam muito rotos.
- Essas calças estão te muito justas.. Não gosto muito delas.
- Está bem.
- Não te prendem a perna?
- Não, nao prendem.
Comemos.
Nada a dizer sobre o facto de não saber pegar no garfo de maneira apropriada e de apanhar os cabelos de maneira desleixada.
- Então foste-te abaixo a matématica..
- Parece que sim.
- Pois, eu bem me pareceu que nao tinhas estudado tanto como para o outro.
2 comments:
Acordou a menina, num quarto que não lhe era familiar, com padrões e cores que não lhe pertenciam. Abraçou-se, com muita força para tentar anular o espaço também desconhecido, dos seus braços junto ao peito.
Apenas se identificou, com a musica que se esvaía, pela frecha da porta entre aberta. Era um som, em que a voz adormecia o instrumento, enquanto este lhe retribuía, fechando os olhos das cordas, de cada vez que os dedos do artista, lhe passavam por cima.
Ó…Como a intensidade dos dedos nas cordas, eram carícias no seu rosto...o rosto do corpo, que estava no quarto que não era seu, que nunca o foi durante todos aqueles anos.
De mão no puxador, num só impulso abriu a porta inundando o quarto, o seu, ou o de alguém, com aquela melodia. A melodia, que agora podia ver, brotar do cadeirão, que suportava o peso do seu Pai.
A menina, não cantou, não devolveu o sorriso ao Pai. Sentou se, cruzou as pernas e de mãos nos joelhos e olhos fechados, entrou no quarto que a idade lhe retirou. O colo que agora sustinha, a velha guitarra.
Os olhos são cristais do interno, premitindo ver o que a imaginaçao oferece.
estou estupfacta com o teu progenitor e tenho dito.
Com amor, Emília.
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