Monday, January 4, 2010

Bailarinas Engraxadoras

Hoje, depois do desperdício de tempo e neuróneos (e de capacidade auditiva, já nao podia ouvir mais o estomago da Filipa a pedir comida!) que foi o exame de Contabilidade, o meu pai ligou-me para irmos almoçar. "Daqui a 15 mins estou aí", pois claro.

Passado uma hora debaixo da paragem de autocarro a apanhar com a água que os idiotas dos condutores esguicham para cima das pessoas enquanto estas esperam pelo autocarro (ou pelo pai, no meu caso) e passada uma hora de ouvir outra barriga grunhir de fome, esta vez a minha, lá chegou Mr Robalo no seu BMW azul acizentado.

- Então, como é que correu?
- Eh, mais ou menos..

Chegamos ao restaurante, cheio, para não variar naquela zona.

- Boa tarde doutor, é para almoçar?

Questão: O homem nunca tinha visto o meu pai na vida, como sabe se é ou deixa de ser doutor?

Resposta óbvia: O meu pai estava de fato. Toda a gente sabe que uma pessoa que usa fato é doutor! Usa fato? É porque é doutor!

Sentamo-nos, e veio-nos parar quase instantaneamente uma lista às maos.

- Já escolheu doutor? São entao duas canjinhas e umas febrinhas de porco? Com certeza doutor, sai já.

Menos instantaneo que a lista, mas tambem com uma rapidez fora do vulgar, lá as canjinhas foram e vieram, depois trocadas pelas febrinhas de porco, que foram trocadas pelo cafézinho, pela continha e pelo Adeuzinho, muito boa tarde doutor.

Enquanto isto, ia-me entretendo a olhar para os restantes clientes. Ora bem, a contar pela quantidade de fatos que para ali havia, estava numa sala cheia de doutores. Havia no entanto umas pobres almas raras, como eu, que estavam de calças de ganga. Que ultraje! No meio de tanto intelecto e tecido de boa qualidade, umas calças de ganga?

A comparar pela prestaçao dos empregados para com os senhores doutores e com reles mortais, nao ter umas boas calças é sinónimo de nao se ser merecedor de bons cuidados de atendimento. Não há gravatinha, não há canjinha - há canja. Não há colarinho, não há paozinho - há tostas. Não há sapatinho preto, nao há bifinho - há bife. E por aí adiante. Devem pensar que não havendo fato italiano nao há gorjeta, há gorjetinha. Lambe-cus..

Ao sair, imaginei-os todos vestidinhos com um tutu cor-de-rosa a cantar "Cause we are living in a material world and i'm a material girl!"

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