Thursday, July 9, 2009

(life is) sleeping through your fingers.

Depois de deixar-te, decidi nao apanhar transportes e vim a pé para casa. Liguei o meu mp3, pus o volume no máximo e comecei a caminhar. Entre oasis, pink floyd e jack johnson lá fiz o meu caminho. Andei em passos curtos e lentos, e observava tudo a minha volta com uma atenção que nunca tinha tido. Senti-me como uma turista na minha própria cidade. Mas uma turista a ver não propriamente os monumentos (sim, que por onde passei só mesmo a praça de touros do campo pequeno é que deve ser considerada "monumento", mas whatever), mas sim uma turista da cultura, das pessoas. Reparei que metade das pessoas nao anda, corre. Como se a vida lhes tivesse a escapar por entre os dedos e tivessem pressa para salva-la. Reparei tambem que a grande maioria das pessoas anda (ou corre) de cabeça baixa e olhos virados para o chão. Como se precisassem de toda a certeza que estão a pisar o sitio correcto, para nao dar largas a possiveis erros (longe de mim pisar duas pedrinhas da calçada mais para a esquerda daquela que tinha em mente!).

Só me pergunto: nao será que estas pessoas têm tanta urgência em garantir uma boa qualidade de vida (segundo elas) que se esquecem de viver realmente? Passam a vida a correr, para garantir que o amanhã seja melhor. Nao vejo mal nisso, acho até que é preciso pensar assim, mas desde que o "amanhã" nao seja eterno e inatingivel. Quando chega o tal "amanhã" para elas? Um dia depois do "hoje"? Vinte dias depois? Quatro anos?

Eu diria que nunca.


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