Tuesday, February 19, 2008

Aquele sítio recordava-lhe alguma coisa. Sim. Lembrava-se de ser pequena e de brincar no meio daqueles caixotes. Daqueles contentores de memórias. Sim, era ali. Tinha a certeza. Também se lembrava daquele tapete. Aquele velho tapete que ela tinha molhado um dia. O tapete responsável por uma das grandes sovas que apanhara. Entrou. Sentou-se no chão e, meio a medo, abriu a caixa de cartão. Cheirava a velho. Hesitante, espreitou lá para dentro. Cartas. Todo o caixote eram cartas. Tirou uma - "Para o meu maior Deus". Abriu-a. Leu-a em silêncio. Uma lágrima escorreu-lhe pela face. Uma gota salgada, triste e pesada. De seguida foi atacada por uma súbita tormenta. Grossas lágrimas molhavam-lhe a cara, as mãos, chegando por fim à própria carta. Perdeu as forças e deitou-se no chão, dando conta que o tapete estava molhado. Sim, o tapete estava encharcado. Como naquela tarde há quinze anos atrás. A única diferença era que desta vez não havia ninguém para a repreender...







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