O quadro pendurado na parede ganhava agora pó. Sim, aquele quadro. Aquele mesmo que outrora respirava alegria. Aquele que inundava todos os que o viam com uma sensação de força desconhecida. Uma sensação de paz, um acalmar do tambor do peito.
Agora estava ali, pendurado, naquela parede amarelecida pelas chuvas, pelo calor, pela vida, pelo tempo.
Tal como a casa, as pessoas iam morrendo lentamente. Já nao se ouviam os risos das crianças, os barulhos da cozinha. Já nao à cheirava a alfazema e a rosmaninho, odor imprescindivel naquela antiga mansão.
Os criados já nao corriam, apressados, pelas centenas de corredores. Os únicos barulhos que agora se ouviam era o estalar do chão quando algum animalzinho passava.
As portas apodrecidas rangiam, guardando a entrada para os quartos de janelas negras, cobertas por lençóis.
Toda a casa cheirava a pó, a mofo. A velho.
Os olhos da menina do quadro, viam, sob uma espessa camada de pó as mudanças que iam ocorrendo. Era ela a única que, em toda a casa, se mantinha impávida no tempo.
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