A rapariga olhou pela janela embaciada do comboio. O tempo estava triste, as nuvens choravam. Por outro lado, ela nunca se sentira mais feliz. A sua cara esboçava um sorriso, os seus olhos brilhavam. Viajava em direção ao polo norte, a terra do desconhecido. Desde que se lembrava da sua existência, sempre tivera esse desejo. O seu maior sonho era ver uma aurora boreal. Um sol da meia noite, como lhe gostava de chamar. Sabia tudo o que se pode saber acerca daquele maravilhoso fenomeno. Sabia que era composto por um brilho observado nos céus noturnos, em regiões próximas a zonas polares, graças ao impacto de partículas de vento solar no campo magnético terrestre. Sabia tambem que ocorria normalmente nas épocas de setembro a outubro e de março a abril. Para ela o mundo podia tirar-lhe tudo, desde que nao a privassem do seu sonho.
Absorta nos seus pensamentos, nem reparou que o comboio tinha parado. O revisor chamou-a, ela pegou na sua pequena mala e procurou por entre a multidão um velhote de barbas compridas. Era esse que a ia mostrar a beleza da natureza. Quando finalmente o encontrou, entraram num jipe com o interior revestido de uma pele muito grossa, que retia o calor.
A noite chegara. Vestiu o seu casacao de lã e abriu a porta. Pos o seu primeiro pé na neve, e sentiu o gelo glaciar enregelar-lhe a cara. Sorriu. Olhou para o céu e viu-a. Sentiu que a sua luz a transportava para outro lugar. Outro planeta, outra galáxia. De repente sentiu-se muito cansada, deitou-se no chão e aí ficou, todos os dias da sua vida de setembro a outubro e de março a abril.
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